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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 2105648

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2105648

INTEGRAÇÃO DOS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM NA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

Autores:
Viviana Mariá Draeger

Resumo:
INTRODUÇÃO O cuidado é a essência do trabalho desenvolvido pela enfermagem na qual inclui-se um conjunto de profissionais autônomos com níveis de formação que compõe e equipe de enfermagem¹. Com diferentes atribuições, o enfermeiro é o responsável por implantar, planejar, organizar, executar e avaliar o cuidado prestado, e faz isso através de uma metodologia científica privativa conhecida como Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Essa atividade consiste nas etapas que compreendem a consulta de enfermagem, incluindo o histórico (entrevista e exame físico), o diagnóstico de enfermagem, a prescrição de enfermagem e evolução de enfermagem². A prescrição de enfermagem consiste na realização de cuidados que poderão ser realizados pelo enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem conforme a habilitação requerida. Por sua vez, de acordo com o COFEN (2009), o técnico de enfermagem  atribui-se também a participação da programação e execução da assistência de enfermagem²; mas ainda temos dificuldade de inseri-los dentro do planejamento da SAE pois consideramos que exista uma dicotomia entre o trabalho do enfermeiro que tende a ser mais intelectual e do técnico de enfermagem, mais assistencial. Por essa fragmentação de assistência muitos dos técnicos de enfermagem desconhecem a SAE. Provavelmente por não ter sido abordado nos cursos formadores, ou por não ser aplicada no setor onde trabalham. Assim, salienta- se que um dos profissionais que forma o técnico de enfermagem é o enfermeiro e a SAE deveria estar em sua programação de ensino, pois essa metodologia melhora o profissional para o mercado de trabalho, aonde irão se deparar com essa prática3-4 Deste modo, como uma etapa relevante da participação de todas as categorias profissionais no cuidado em enfermagem, a prescrição de cuidados foi o enfoque dessa pesquisa que teve por objetivo conhecer a percepção do técnico de enfermagem que compõe a equipe de enfermagem frente a SAE. Rever a importância de inclusão dos técnicos de enfermagem na SAE pode contribuir com a qualidade da assistência de enfermagem, e a valorização profissional e melhora no trabalho em equipe. METODOLOGIA Esta pesquisa caracteriza-se como estudo de caso com abordagem qualitativa direcionado aos técnicos de enfermagem colaboradores de um Hospital do município de Blumenau – Santa Catarina, com fundamentos descritivo- exploratórios. O estudo foi realizado em uma instituição hospitalar geral com 250 leitos do município de Blumenau/SC e um quadro funcional de, aproximadamente, 800 colaboradores das áreas de enfermagem e para fins sigilo será denominada como instituição A. A escolha por esta instituição deve-se ao interesse em conhecer a organização da assistência de enfermagem a partir de um instrumento científico próprio do processo de trabalho dos técnicos de enfermagem. Assim, a unidade de internação (UTI) de escolha foi intencional devido à implantação efetiva da SAE. A pesquisa iniciou em fevereiro de 2013 e encerrada em junho do mesmo ano, sendo a coleta de dados feita em março e a análise dos mesmos nos meses seguintes. O número de sujeitos do estudo foi composto por oito técnicos de enfermagem, dois de cada turno de trabalho, e a sua escolha se deu baseada no tempo de atuação na UTI e fundamentada no critério de aceitar participar da pesquisa. Para preservar-lhes o segredo de identidade foram atribuídos nomes fictícios. A coleta de dados se deu através de uma entrevista semi-estruturada, gravadas e posteriormente transcritas e como respeito aos aspectos éticos e, principalmente, os direitos dos sujeitos, a pesquisa passou por apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Regional de Blumenau e foram adotadas as normas determinadas conforme a Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) 196/96 que regulamenta pesquisa envolvendo seres humanos após assinatura o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). RESULTADOS Os participantes do estudo foram 8 Técnicos de Enfermagem que atuam na instituição em turnos de trabalho diferentes: 02 turno matutino, 02 turno vespertino, 02 noite I e 02 noite II. Nesse aspecto poderia analisar-se que o tema SAE poderia ser entendido pela maioria dos trabalhadores abordados já que a instituição aplica o Processo de Enfermagem no setor. Como a quarta etapa da SAE, a prescrição de enfermagem consiste na integração da pratica da assistência entre a equipe de enfermagem. Com isso, alguns sujeitos concebem que a prescrição de cuidados faz parte da rotina diária de trabalho comparando a um afazer que dever ser feito: checar a prescrição. Kurcgant5 (1991) refere que para aplicação do método de assistência sistematizada é necessário elaborar normas para execução do processo de enfermagem, no quesito de pensar no registro e conseqüentemente auxiliar a prática. Além de ser considerada um guia de cuidados de rotinas, a percepção de que os cuidados prescritos são necessários para assistir o paciente é evidente. Por esse motivo muitos entrevistados têm vergonha de mencionar que não seguem as intervenções prescritas. As dificuldades apontadas nas falas identificam uma ação no sentido de que o habito de ler ou checar a SAE é demorado comparado à complexidade de atribuições no processo de trabalho na UTI. Visto que há dificuldade na metodologia de conferir a prescrição de enfermagem, devido os cuidados com pacientes graves exigem alta disponibilidade de tempo. No contexto podemos esperar que o técnico de enfermagem realize a assistência de enfermagem, independente de ter prescrição de cuidados ou não, caracterizado como os atributos do técnico de enfermagem. O que podemos apurar é que os técnicos de enfermagem não deixam de realizar seus afazeres com o paciente, por isso o abandono em seguir a prescrição de cuidados. Como conseqüência, verifica-se que a interpretação da prescrição de enfermagem pelo técnico muitas vezes não induz ao raciocínio clínico do profissional. Pode-se dizer por dois motivos: a falta de capacitação para ativar o julgamento clínico ou o déficit no conhecimento sobre a importância do processo de enfermagem. Com isso notamos os problemas de implantação e na manutenção da SAE. A falta de supervisão, aconselhamento de funções e educação permanente da equipe de enfermagem, podem ser taxados como pontos dificultadores. Muitas vezes o enfermeiro implanta a SAE, mas a operacionalização falha. Apenas alguns técnicos têm consciência do seu papel perante a SAE. Essa questão é o ponto chave, fazer com que o técnico entenda a importância da SAE e do trabalho em equipe da enfermagem, pois sem ele não se chegará às metas estabelecidas e o planejamento da assistência se perde, como se perde tempo e qualidade de trabalho, prejudicando a visibilidade profissional. Como também significa que o trabalho em equipe na enfermagem não perdeu sua essência apenas diminuiu sua proximidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com objetivo compreender a SAE pelo olhar da equipe de enfermagem composta por profissionais de nível médio, encontrou-se como resultado deste estudo a atuação automática dos técnicos de enfermagem na prescrição de enfermagem. A falta de raciocínio clínico e a gama de cuidados complexos emitem a interpretação de rotina na SAE. Um apontamento errôneo de atuação profissional na qual devem ser revistas as propostas de contrucao de cuidado em equipe baseado na metodologia que garante a enfermagem maior valorização e visibilidade profissional.


Referências:
1. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Cadernos de Atenção Básica Nº28. Volume I. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 2. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização. A humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 3. Duarte LPA, Moreira DJ, Duarte EB, Feitosa ANC , Oliveira AM. Contribuição da escuta qualificada para a integralidade na atenção primária. Rev. Gestão & Saúde (Brasília). Set. 2017; Vol. 08 (03): 414-429. 4. Coutinho LRP, B AR, S MLM. Acolhimento na atenção primária à saúde: revisão integrativa. Saúde debate. Jun. 2015; 39( 105 ): 514-524. Disponível: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-11042015000200514&lng=pt