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2105648 | INTEGRAÇÃO DOS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM NA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM | Autores: Viviana Mariá Draeger |
Resumo: INTRODUÇÃO
O cuidado é a essência do trabalho desenvolvido pela enfermagem na qual
inclui-se um conjunto de profissionais autônomos com níveis de formação que
compõe e equipe de enfermagem¹.
Com diferentes atribuições, o enfermeiro é o responsável por implantar,
planejar, organizar, executar e avaliar o cuidado prestado, e faz isso através
de uma metodologia científica privativa conhecida como Sistematização da
Assistência de Enfermagem (SAE). Essa atividade consiste nas etapas que
compreendem a consulta de enfermagem, incluindo o histórico (entrevista e
exame físico), o diagnóstico de enfermagem, a prescrição de enfermagem e
evolução de enfermagem².
A prescrição de enfermagem consiste na realização de cuidados que poderão ser
realizados pelo enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem conforme a
habilitação requerida. Por sua vez, de acordo com o COFEN (2009), o técnico de
enfermagem atribui-se também a participação da programação e execução da
assistência de enfermagem²; mas ainda temos dificuldade de inseri-los dentro
do planejamento da SAE pois consideramos que exista uma dicotomia entre o
trabalho do enfermeiro que tende a ser mais intelectual e do técnico de
enfermagem, mais assistencial.
Por essa fragmentação de assistência muitos dos técnicos de enfermagem
desconhecem a SAE. Provavelmente por não ter sido abordado nos cursos
formadores, ou por não ser aplicada no setor onde trabalham. Assim, salienta-
se que um dos profissionais que forma o técnico de enfermagem é o enfermeiro e
a SAE deveria estar em sua programação de ensino, pois essa metodologia
melhora o profissional para o mercado de trabalho, aonde irão se deparar com
essa prática3-4
Deste modo, como uma etapa relevante da participação de todas as categorias
profissionais no cuidado em enfermagem, a prescrição de cuidados foi o enfoque
dessa pesquisa que teve por objetivo conhecer a percepção do técnico de
enfermagem que compõe a equipe de enfermagem frente a SAE.
Rever a importância de inclusão dos técnicos de enfermagem na SAE pode
contribuir com a qualidade da assistência de enfermagem, e a valorização
profissional e melhora no trabalho em equipe.
METODOLOGIA
Esta pesquisa caracteriza-se como estudo de caso com abordagem qualitativa
direcionado aos técnicos de enfermagem colaboradores de um Hospital do
município de Blumenau – Santa Catarina, com fundamentos descritivo-
exploratórios.
O estudo foi realizado em uma instituição hospitalar geral com 250 leitos do
município de Blumenau/SC e um quadro funcional de, aproximadamente, 800
colaboradores das áreas de enfermagem e para fins sigilo será denominada como
instituição A.
A escolha por esta instituição deve-se ao interesse em conhecer a organização
da assistência de enfermagem a partir de um instrumento científico próprio do
processo de trabalho dos técnicos de enfermagem. Assim, a unidade de
internação (UTI) de escolha foi intencional devido à implantação efetiva da
SAE.
A pesquisa iniciou em fevereiro de 2013 e encerrada em junho do mesmo ano,
sendo a coleta de dados feita em março e a análise dos mesmos nos meses
seguintes. O número de sujeitos do estudo foi composto por oito técnicos de
enfermagem, dois de cada turno de trabalho, e a sua escolha se deu baseada no
tempo de atuação na UTI e fundamentada no critério de aceitar participar da
pesquisa. Para preservar-lhes o segredo de identidade foram atribuídos nomes
fictícios.
A coleta de dados se deu através de uma entrevista semi-estruturada, gravadas
e posteriormente transcritas e como respeito aos aspectos éticos e,
principalmente, os direitos dos sujeitos, a pesquisa passou por apreciação do
Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Regional de
Blumenau e foram adotadas as normas determinadas conforme a Resolução do
Conselho Nacional de Saúde (CNS) 196/96 que regulamenta pesquisa envolvendo
seres humanos após assinatura o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE).
RESULTADOS
Os participantes do estudo foram 8 Técnicos de Enfermagem que atuam na
instituição em turnos de trabalho diferentes: 02 turno matutino, 02 turno
vespertino, 02 noite I e 02 noite II.
Nesse aspecto poderia analisar-se que o tema SAE poderia ser entendido pela
maioria dos trabalhadores abordados já que a instituição aplica o Processo de
Enfermagem no setor.
Como a quarta etapa da SAE, a prescrição de enfermagem consiste na integração
da pratica da assistência entre a equipe de enfermagem. Com isso, alguns
sujeitos concebem que a prescrição de cuidados faz parte da rotina diária de
trabalho comparando a um afazer que dever ser feito: checar a prescrição.
Kurcgant5 (1991) refere que para aplicação do método de assistência
sistematizada é necessário elaborar normas para execução do processo de
enfermagem, no quesito de pensar no registro e conseqüentemente auxiliar a
prática.
Além de ser considerada um guia de cuidados de rotinas, a percepção de que os
cuidados prescritos são necessários para assistir o paciente é evidente. Por
esse motivo muitos entrevistados têm vergonha de mencionar que não seguem as
intervenções prescritas.
As dificuldades apontadas nas falas identificam uma ação no sentido de que o
habito de ler ou checar a SAE é demorado comparado à complexidade de
atribuições no processo de trabalho na UTI. Visto que há dificuldade na
metodologia de conferir a prescrição de enfermagem, devido os cuidados com
pacientes graves exigem alta disponibilidade de tempo. No contexto podemos
esperar que o técnico de enfermagem realize a assistência de enfermagem,
independente de ter prescrição de cuidados ou não, caracterizado como os
atributos do técnico de enfermagem.
O que podemos apurar é que os técnicos de enfermagem não deixam de realizar
seus afazeres com o paciente, por isso o abandono em seguir a prescrição de
cuidados. Como conseqüência, verifica-se que a interpretação da prescrição de
enfermagem pelo técnico muitas vezes não induz ao raciocínio clínico do
profissional. Pode-se dizer por dois motivos: a falta de capacitação para
ativar o julgamento clínico ou o déficit no conhecimento sobre a importância
do processo de enfermagem.
Com isso notamos os problemas de implantação e na manutenção da SAE. A falta
de supervisão, aconselhamento de funções e educação permanente da equipe de
enfermagem, podem ser taxados como pontos dificultadores. Muitas vezes o
enfermeiro implanta a SAE, mas a operacionalização falha. Apenas alguns
técnicos têm consciência do seu papel perante a SAE.
Essa questão é o ponto chave, fazer com que o técnico entenda a importância da
SAE e do trabalho em equipe da enfermagem, pois sem ele não se chegará às
metas estabelecidas e o planejamento da assistência se perde, como se perde
tempo e qualidade de trabalho, prejudicando a visibilidade profissional. Como
também significa que o trabalho em equipe na enfermagem não perdeu sua
essência apenas diminuiu sua proximidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com objetivo compreender a SAE pelo olhar da equipe de enfermagem composta por
profissionais de nível médio, encontrou-se como resultado deste estudo a
atuação automática dos técnicos de enfermagem na prescrição de enfermagem. A
falta de raciocínio clínico e a gama de cuidados complexos emitem a
interpretação de rotina na SAE. Um apontamento errôneo de atuação profissional
na qual devem ser revistas as propostas de contrucao de cuidado em equipe
baseado na metodologia que garante a enfermagem maior valorização e
visibilidade profissional.
Referências: 1. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Cadernos de Atenção Básica Nº28. Volume I. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
2. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização. A humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
3. Duarte LPA, Moreira DJ, Duarte EB, Feitosa ANC , Oliveira AM. Contribuição da escuta qualificada para a integralidade na atenção primária. Rev. Gestão & Saúde (Brasília). Set. 2017; Vol. 08 (03): 414-429.
4. Coutinho LRP, B AR, S MLM. Acolhimento na atenção primária à saúde: revisão integrativa. Saúde debate. Jun. 2015; 39( 105 ): 514-524. Disponível: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-11042015000200514&lng=pt |