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SENADEn - ISSN: 2316-3216 || SINADEn - ISSN: 2318-6518 • ISSN: 2318-6518
Resumo: 1878371

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1878371

PROCESSO DA MORTE E DO MORRER E O CURRÍCULO NA EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM

Autores:
Maria Lígia dos Reis Bellaguarda ; Gustavo da Cunha Teixeira

Resumo:
**INTRODUÇÃO:** A enfermagem profissão, que tem no cuidado seu objeto epistemológico consolida-se na capacidade de seus membros profissionais em assistir o Ser humano em todas as etapas da existência. Dentre essas fases previne, restabelece, trata, recupera e mantém a saúde e possibilita a qualidade de vida, o que inclui a atenção humanizada no processo de morte e morrer. Neste sentido é imprescindível que na educação profissional do enfermeiro sejam inclusas abordagens do cuidado, da comunicação de más notícias as pessoas e suas famílias e organização de redes de apoio. Entendendo, que para inovar e reorientar as dinâmicas da educação e curricular é preciso conhecer o já estabelecido. Diante do que, o **OBJETIVO** é analisar a distribuição do conteúdo morte e morrer no eixo curricular do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina.** METODOLOGIA**: resultado parcial do Projeto de Iniciação Científica Interface do processo da morte e do morrer na formação acadêmico-profissional em Enfermagem, aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa sob Parecer n° 2.471.767/2018. Pesquisa qualitativa, abordagem documental do reconhecimento do Projeto Pedagógico e Currículo do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina. A coleta e organização das informações foram realizadas a partir da leitura atenta dos arquivos pedagógicos que estruturam a organização do Curso de Enfermagem, caracterizados pelos projeto pedagógico do curso e planos de ensino das disciplinas. O critério de inclusão para identificação curricular do processo da morte e do morrer na educação em enfermagem foi da frequência semântica nas ementas das disciplinas obrigatórias e optativas dos termos morte e morrer e incluiu-se cuidados paliativos, paliação, terminalidade, fim da vida e ética. A análise utilizou-se os critérios de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência, relacionados ao marco conceitual adotado no curso e Diretrizes Curriculares Nacionais. **RESULTADOS: **A organização do eixo curricular do Curso  está composto em 10 fases, com 1 eixo fundamental e 1 conjunto de bases articuladas e 1 de bases complementares.  O eixo curricular engloba à promoção da saúde no processo de viver humano- diversidade e complementariedade dos cenários de trabalho em saúde. O conteúdo de morte e morrer aparece em 6 disciplinas, 4 integram eixo fundamental, 1 base complementar, 1 disciplina optativa. O termo morte-morrer e cuidados paliativos aparecem apenas na disciplina optativa. Nas demais o termo identificado foi ética e bioética. O fortalecimento da justiça social dentro das políticas públicas de saúde está intimamente ligado à formação profissional. Na Enfermagem,que assiste pacientes e famílias na atenção primária, secundária e terciária de saúde, prestando cuidado integral e orientação educacional o foco na qualificação da vida e bem estar da comunidade assistida é imprescindível. Observa-se, no currículo pesquisado, uma fragilidade na apresentação do tema, já que o termo ética e bioética foi o mais encontrado e não especifica a discussão do processo de terminalidade humana. Constata-se, que não aparecem os descritores de busca na ementa ou título da disciplina, mas há eventos organizados nos planos de aula evidenciam o trabalho da percepção, compreensão e enfrentamentos de discentes diante do tema morte e morrer. As dificuldades docentes na introdução do tema em decorrência da abordagem tecnicista dos currículos e privação das disciplinas de carga horária para a discussão e reflexão para a prática profissional(1). Outrossim,  a educação para a vivência do processo de morte e morrer necessita de um preparo ampliado em sua abordagem, uma vez que se insere no contexto cultural, social, político, emocional, espiritual, religioso e científico da personalidade humana. Os conteúdos programáticos e títulos de disciplinas, além da metodologia e estratégia de ensino, no tocante as questões da morte e do morrer, precisam trazer implícitas essa temática. Isto pois, imprime na disciplina ou evento curricular uma identidade curricular documental. Ou seja, traz identidade ao currículo, o especifica, o qualifica. As Diretrizes Curriculares Nacionais, para a formação da enfermeira, solicitam ampliação de competências e que os documentos curriculares sejam coerentes com a prática do ensino-aprendizagem.  Alguns estudos mostram a fragilidade na educação acerca da terminalidade e o cuidado de enfermagem na formação e reiteram que é uma temática complexa e repercute na dificuldade da praxis do cuidado(2,3). As questões éticas implicadas no cuidado à morte têm sua especificidade na lei do exercício profissional do enfermeiro e traz desde o juramento profissional. Explicita o trajeto educativo do enfermeiro, que se inicia com práticas e ciência de aprendizado celular, genético ao desenvolvimento humano até o processo de finitude existencial, a morte. Para tanto, os estudos sobre morte encontram-se, em sua maioria, discutidos no âmbito ético/legal. Os currículos abordam as questões da terminalidade nos conteúdos de ética e bioética, com enfoque nos dilemas ético-morais. Importantes para a competência da enfermeira no cuidado de pessoas em cuidados paliativos, mas é necessária a ampliação das discussões no âmbito técnico, tecnológico, teórico e prático, emocional e espiritual do cuidado à morte. **CONCLUSÃO:** Há uma fragilidade na discussão e ensino da temática morte e morrer, com vistas ao exercício da cidadania. Atendendo às Diretrizes Curriculares Nacionais o grande desafio na formação do profissional enfermeiro está em fomentar pela educação a curiosidade, o dinamismo, a criatividade, a pró-atividade e  o saber fazer de maneira a integrar conteúdos e estratégias ativas do conhecimento para o desenvolvimento de um fazer crítico, ético e sensível do cuidado em saúde. O currículo acadêmico em estudo denota uma necessidade de discutir e refletir o tema da morte e do morrer, mas ainda mostra-se a partir de iniciativas isoladas de docentes. O cuidado da vida refere-se ao respeito à dignidade humana e esta  é necessária ser mantida, fortalecendo os princípios da justiça social em todo o percurso do viver humano. **CONTRIBUIÇÕES PARA A ENFERMAGEM:** No âmbito da profissão o cuidado em enfermagem inclui-se no processo vivencial e existencial das pessoas, a terminalidade da existência precisa ser discutida e trabalhada junto aos profissionais, para que apresentem a competência do cuidado do nascimento à morte. A capacitação do profissional enfermeiro, para o cuidado e atenção em cuidados paliativos e em processos de morte e do morrer requer estratégias diferenciadas, dinâmicas e que fomente durante a formação a competência para a assistência à família e à pessoa em fim de vida.


Referências:
1. Sarmento GJV. Princípios e práticas de ventilação mecânica. 2ª ed. São Paulo: Manole; 2013. 2. Rose L, et al. Decisions Made By Critical Care Nurses During Mechanical Ventilation and Weaning in an Australian Intensive Care Unit. American Journal Of Critical Care. 2007 [Cited 2018 Mar 10]; 16(5): 434-442. Available from: http://ajcc.aacnjournals.org/content/16/5/434.long 3. Damasceno MPCD, et al. Ventilação mecânica no Brasil: aspectos epidemiológicos. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2006 [Cited 2018 Mar 10]; 18(3): 219-228. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103507X2006000300002&lng=en&nrm=iso 4. Potter P, Perry AG. Fundamentos de Enfermagem. 8ª ed. Rio de Janeiro: Mosby Elsevier; 2013. 5. Rodrigues RCV, Peres HHC. Desenvolvimento de ambiente virtual de aprendizagem em enfermagem sobre ressuscitação cardiorrespiratória em neonatologia. Escola de enfermagem da USP. 2013 [2018 Mar 10]; 47(1): 235-241. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000100030