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Resumo: 1872604

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1872604

TECNOLOGIA EDUCATIVA EM SAÚDE PARA O CUIDADO DOMICILIAR DE PACIENTES EM USO DE GASTROSTOMIA

Autores:
Melissa Orlandi Honório Locks ; Liziane Conceição Goulart Boff ; Nadia Chiodelli Salum ; Michele Medeiros ; Renata da Silva

Resumo:
**Introdução:** Em condições normais, a via de uso alimentar do ser humano corresponde à oral. Porém existem patologias que podem alterar este processo da alimentação, necessitando de outros meios para prover os nutrientes necessários à manutenção da vida humana e das funções orgânicas do corpo1. A evolução tecnológica e científica tem promovido, ao longo dos anos, um avanço nos artefatos, técnicas e procedimentos no sentido de otimizar e manter o aporte nutricional de uma pessoa por uma via alternativa de alimentação, quando a via convencional não pode ser utilizada pelo paciente. Para tal, foram desenvolvidas alimentações artificiais, industrializadas, que seguem a um rigoroso padrão de produção, armazenamento, administração, controle e avaliação que podem se destinar ao trato gastrointestinal (enteral) ou por via parenteral2 .Os acessos enterais podem ser obtidos pela introdução de uma sonda via nasal ou oral ou ainda pela cateterização gástrica (gastrostomia) ou jejunal (jejunostomia). A sonda por via nasal ou oral tem o objetivo de fornecer nutrientes por um curto prazo de tempo, em torno de quatro à seis semanas. A via nasal representa o acesso mais utilizado para a nutrição enteral3. Entretanto, a cateterização gástrica por via percutânea ou cirúrgica (gastrostomia) é indicada quando há a necessidade de fornecer nutrientes por um período maior do que seis semanas4. A gastrostomia surge então como um procedimento que visa fornecer o aporte nutricional por um acesso direto ao estômago, através da introdução cirúrgica ou endoscópica de uma sonda1.O**bjetivo: **desenvolver tecnologia educativa em saúde para o cuidado domiciliar de pacientes em uso de gastrostomia. **Metodologia:** ** **Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, descritiva e exploratória. Foi realizada em um hospital universitário do sul do país. Participaram 8 enfermeiros assistenciais da Clínica Cirúrgica 1 e do Centro Endoscópico e 3 cuidadores de pacientes portadores de sonda de gastrostomia no domicílio. A coleta de dados se deu por meio de entrevista semi-estruturada com o objetivo de conhecer os cuidados e recomendações acerca do cuidado com a gastrostomia segundo os enfermeiros, bem como as dificuldades ou complicações no domicílio pelas quais passam pacientes/cuidadores que manipulam a sonda de gastrostomia. Foi realizada também uma revisão integrativa da literatura dos anos entre 2010 e 2016 com ao objetivo de identificar e avaliar as evidências disponíveis na literatura sobre os cuidados ao paciente em uso de gastrostomia e as dificuldades no ambiente domiciliar que selecionou 12 artigos publicados. Para a análise dos dados utlizou-se a análise temática associada a literatura revisada sobre o tema. **Resultados:** Os dados evidenciaram que existe conhecimento dos enfermeiros sobre a gastrostomia, porém observa-se não haver um consenso quanto aos cuidados com a gastrostomia praticados nas unidades de internação, havendo divergências entre as orientações dadas aos pacientes e familiares na alta, ou não serem orientados. As orientações para a alta giram em torno da limpeza do estoma, lavagem da sonda, administração da dieta. Os cuidadores revelaram dificuldades e dúvidas no ambiente domiciliar, relacionadas aos cuidados básicos (como limpar a sonda, tipo de alimento pode ser administrado) e àquelas estruturais e de apoio (que alimentação dar quando não é fornecida a dieta industrializada pelo estado, onde conseguir uma nutricionista para alterar a dieta). Complicações como obstrução da sonda, vazamentos pela inserção, flogismo no estoma foram mencionadas. A revisão da literatura vem embasar as realidades apresentadas, uma vez que os estudos mostram que 71,4% das gastrostomias apresentam processos infecciosos com complicações como a infecção periestomal e o deslocamento da sonda como as mais incidentes. A cartilha foi construída com base nos dados identificados nas entrevistas com os enfermeiros, pacientes/cuidadores e sustentados pela revisão integrativa. A construção da tecnologia educativa em forma de cartilha sendo esta intitulada “Convivendo com uma gastrostomia”. Foram abordados os temas: o que é gastrostiomia, indicação, uso para medicação e alimentação, cuidados com o estoma, cuidados gerais, principais complicações e sinais de alerta que necessitam atendimento especializado. Foi encaminhada a um designer gráfico que uniu o texto com figuras e cores selecionadas. **Concluão: **Conclui-se que existe uma lacuna acerca dos cuidados de enfermagem principalmente quanto as orientações para a alta e monitoramento domiciliar. A capacitação das equipes de saúde para melhor orientar pacientes e familiares, aliado à incorporação de tecnologias de educação e melhoras nos processos de trabalho parecem favorecer o cuidado a este paciente. A elaboração de uma tecnologia educativa com a finalidade de aproximar o paciente/família, a instituição/profissionais desmistificando a prática do cuidado com a pessoa que usa a gastrostomia representa um primeiro passo na tentativa de padronizar um conhecimento mínimo para o tema, de forma sintetizada e mais acessível. Nesse sentido, a cartilha **convivendo com uma gastrostomia** é destinada à auxiliar pacientes e familiares à compreenderem os cuidados domiciliares básicos necessários voltados para o uso de uma gastrostomia. **Contrinuições para a enfermagem: **A cartilha como uma tecnologia educativa, é uma ferramenta que busca informar de maneira lúdica os cuidados e complicações oriundas do uso de gastrostomia, buscando o enfrentamento da doença. Evidencia-se o compromisso e o comprometimento dos participantes com sua prática profissional, que a partir da sua vivência observaram seus problemas e dificuldades, propondo aproximar o paciente /cuidador com a instituição/profissionais desmistificando a prática do cuidado a pessoa com gastrostomia.


Referências:
1.Franco CP. A Plataforma Moodle como Alternativa para uma Educação Flexível. Rev EducaOnline. [Internet] 2010 [acesso em 2017 jan 18]; 4(1). Disponível em: http://www.latec.ufrj.br/revistas/index.php?journal=educaonline&page=article&op=view&path%5B%5D=97. 2. Souza APL, Silva DCS, Matos KC. A importância da utilização de ferramentas do MOODLE na educação à distância. Revista EDaPECI São Cristóvão (SE), 15(3):656-69, 2015. 3. Alves ED, Ribeiro LSN, Guimaraes DCSM, Costa CMA, Peixoto HM, Martins EF et al. MOODLE - folio para o ensino em saúde e enfermagem: avaliação do processo educacional. Rev Eletr Enf [Internet]. 2012 [acesso 2015 set 20];14(3):473-82. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista/ v14/n3/v14n3a03.htm. 4. Nespoli G. Os domínios da Tecnologia Educacional no campo da Saúde. Interface (Botucatu). 17(47):873-84, 2013. 5. Costa PB, Prado C, Oliveira LFT, Peres HHC, Massarollo MCKB, Fernandes MFP et al. Fluência digital e uso de ambientes virtuais: caracterização de alunos de enfermagem. Rev Esc Enferm USP [online]. 2011 [acesso 2015 set 20];45(esp):1589-94. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/ v45nspe/v45nspea08.pdf.